O paradoxo da reciclagem de RCD

Por Construplay, em 14/02/2019

Já falamos aqui da ideia equivocada que as pessoas têm sobre o negócio da reciclagem de resíduos da construção civil e demolição. É incrível, como se tudo fosse automático, entra resíduo sai agregado reciclado, simples.

Duas questões que são extremamente importantes para se avaliar uma usina de reciclagem de RCD: ela não recebe resíduo limpo e também não consegue vender toda a sua produção de agregado reciclado.

Nesse sentido, o “mito” de negócio fantástico, cai por terra, pois a partir do momento que o resíduo chega sujo, há custos altíssimos para selecionar e triar o material a fim de torná-lo possível de britar e recicla-lo.

Embora haja uma crescente automação no processo de recepção e triagem do resíduo, a participação de operários na linha de triagem ainda é decisiva para se produzir um agregado reciclado de qualidade.

Os custos para se produzir um agregado reciclado excepcional não param por aí, no entanto depois de britado, o material é classificado (peneirado) e na pilha no estoque, ele é ensaiado em laboratórios credenciados pelo INMETRO para se certificar que o material atende as normas técnicas em vigor.

É…para quem acreditava que era um p*** negócio, está aí a conta que deve ser feita.

A questão é que ninguém pára pra pensar nisso. Se fosse um negócio das Arábias, não havia tanta reclamação por parte dos empresários do setor.

Um desafio interessante: vá a loja de material de construção mais próxima de sua casa e peça ao vendedor um saco de areia reciclada. Seguramente ele vai te responder: O que é isso jovem?

Seja areia reciclada, brita reciclada ou qualquer produto oriundo da reciclagem de resíduos da construção civil, vai ser difícil encontrar alguma amostra por aí.

Reciclar entulho não é tão fácil assim, pois nesse processo estão envolvidos a recepção do material, destinação de rejeito, que custa muito para as usinas, britagem e classificação, que além de energia consumida, tem o desgaste dos decks.

É exatamente por isso que muitas usinas não recebem outro tipo de resíduo, se não o inerte, e em alguns casos, apenas o inerte cinza. O custo de triagem e destinação, caso seja um resíduo heterogêneo (misturado), é muito alto, o que encareceria o valor do agregado reciclado.

As pessoas acham que as usinas de reciclagem devem receber qualquer tipo de material. É incrível, porque, embora o licenciamento seja apenas para resíduos inertes, os empreendimentos sofrem pressão de geradores e de órgãos públicos para receber tudo, até resíduo contaminado e perigoso.

Receber material que não seja o core business da usina de RCD é cilada!

Portando, o negócio da reciclagem de resíduos da construção civil é um paradoxo, pois, em teoria, a usina deveria receber resíduo da construção limpo, mas não recebe. Deveria vender o agregado reciclado, mas não o vende, pois não há um mercado tão grande que absorva este material.

Então, prezado empresário, antes de entrar no segmento, busque conhecimento. Em nossos cursos você encontra.

Levi Torres

Coordenador da ABRECON

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