O futuro das pedreiras

Por Construplay, em 24/07/2018

A exploração mineral é uma atividade milenar e está intimamente relacionada à construção civil, embora hajam métodos cada vez mais inovadores e econômicos de construção que reduzem significativamente o uso de agregados, é o caso dos “woodframe”, “drywall” e “steelframe”.

Segundo dados da Associação Nacional dos Produtores de Agregados – ANEPAC, há no Brasil aproximadamente 3.000 produtores de agregados naturais em operação produzindo 740 milhões de toneladas de brita e areia por ano. A capacidade instalada do mercado está em 840 milhões de toneladas por ano. É agregado “pra mais de metro”.

Em um momento de retomada da atividade econômica, agora ou vindouro, o setor de agregado natural (areia do porto de areia e pedra da pedreira) não terá capacidade competitiva para atender a demanda da construção em grandes centros urbanos, especialmente regiões metropolitanas devido ao esgotamento de suas jazidas e a pressão por espaços. A previsão do relatório da própria ANEPAC é que a mancha urbana triplique de tamanho até 2030 se comparada com o ano de 2000.

Isso já é realidade em São Paulo e Santos, duas regiões extremamente adensadas que já sentem no bolso o fato de não terem disponibilidade abundante de agregado natural em suas regiões.

Nesse universo de 3.000 produtores de agregado natural, muitos estão encravados em regiões com grande pressão por área útil e moradia, criando mais oportunidade para a desativação e recuperação de pedreiras e transformação dos espaços em aterros de inertes e atender a demanda das cidades por espaços públicos.

Um exemplo disso são áreas na cidade de São Paulo que abrigavam portos de areia e pedreiras e que hoje já se tornaram conjuntos habitacionais e até parques. Aliás, a cidade de São Paulo é um exemplo prático disso, pois atualmente o município e o estado discutem a mudança do CEASA/CEAGESP de um bairro central da cidade para provavelmente uma cidade da região metropolitana. Das áreas disponíveis e concorrentes ao projeto do novo centro de distribuição de hortifrútis, pelo menos duas são aterros de inertes que deverão encerrar a cota de preenchimento de resíduo da construção em curto prazo.

Assim como o CEAGESP já não consegue operar numa cidade como São Paulo, devido às restrições de tráfego e escassez de espaço, onerando os produtos que saem de lá para o Brasil, pedreiras e portos de areia seguirão o mesmo caminho, só que longe das cidades e oferecendo o produto com o ônus do transporte.

Como consequência, a construção deverá ser mais racional e utilizar o agregado natural de forma mais inteligente e sustentável.

Santos e São Paulo, ambas integrantes de regiões metropolitanas, são fatídicas nesse cenário, pois metade da areia consumida é “importada” do Vale do Paraíba e Vale do Ribeira, no caso da Baixada Santista, e do Vale do Paraíba, eixo da rodovia Castelo Branco e até de Campinas, no caso de São Paulo. Há casos em que a areia percorre mais de cem quilômetros para chegar a seu destino.

Com tudo isso e como consequência, teremos mais destinos para o entulho, em formato de aterros de inertes, e um preço relativamente mais alto do agregado natural, favorecendo o crescimento do mercado de agregado reciclado, uma vez que, este último tem vocação regional e diferentemente do agregado natural, não consegue chegar muito longe devido a perda de competitividade.

É importante registrar que o potencial de oferta de agregado natural no Brasil é extremamente alto e tem condições de atender com tranquilidade a construção por pelo menos cem anos, todavia, o que vemos é uma condição anômala pertinente aos grandes centros.

A disparidade de preço com o interior é absurda. Enquanto que em centros adensados o valor do metro cúbico de areia natural gira em torno de R$ 70,00, é possível encontrar a mesma areia a R$ 10,00 o metro cúbico no interior.

Portanto, a expansão demográfica das metrópoles pressiona as pedreiras e portos de areia criando oportunidades para a destinação de resíduos da construção de forma sustentável, engendrando um ambiente mais animador para a introdução do agregado reciclado no mercado da construção.

Levi Torres

Coordenador da ABRECON

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