O custo da falta de planejamento

Por Construplay, em 23/05/2019

O planejamento estratégico é importante em qualquer empreendimento, porém no setor da reciclagem de resíduos da construção é ele (o planejamento) que define o sucesso ou o fracasso de um negócio.

Algo que eu realmente gostaria de entender é o fascínio dos empresários pelo britador. Ele não cabe na realidade da maioria das cidades, exige um aparato financeiro expressivo e ainda demanda política pública, algo insólito também na maioria dos municípios. Quiçá seja a ideia do ciclo sustentável, economia circular, o clássico: transformar agregado reciclado em artefato de concreto…

Decerto é o complexo do empreendedor oportunista, ou seja, barato, simples e lucrativo.

Montar uma usina de reciclagem de entulho é um negócio extremamente complexo. Não é uma padaria. Se compararmos uma padaria com uma usina de reciclagem de RCD teremos uma diferença abissal apenas no prazo de licenciamento e abertura do empreendimento.

A complexidade, a meu ver, é imanente a gestão dos resíduos da construção pelos seguintes fatores:

->  Necessidade de política pública para a instalação do empreendimento;

->  Cultura de descarte correto e utilização do agregado reciclado;

->  Método construtivo;

->  Viabilidade técnica e financeira do negócio.

Aí está a sacada do negócio.

Contudo, o comportamento acérrimo do empreendedor faz dele um cego e apaixonado pela ideia da reciclagem, ignorando muitas informações e dados sobre a região.

Todos os municípios precisam resolver seus problemas na destinação de entulho. Certo. Você conhece Quatro Barras – PR? Guapiaçu – SP? Cambé – PR?

Essas cidades também precisam resolver o problema do entulho? Sim, porém de forma a se integrar as suas regiões metropolitanas, pois as soluções passam obrigatoriamente pela interação entre elas, neste caso Curitiba – PR, São José do Rio Preto – SP e Londrina – PR, respectivamente.

As últimas fazem parte de uma região metropolitana, exceto São José do Rio Preto, dependem de suas sedes e dispõe de área, em alguns casos mais em conta do que nas cidades mais desenvolvidas.

As soluções para os resíduos da construção são o resultado das condições ofertadas de cada região, assim não adianta “pensar” numa usina de reciclagem de entulho incompatível com a realidade de geração de resíduos ou de agregados para a construção. E isso não é apenas no setor de resíduos da construção, é, em geral, em todos os aspectos relacionados a viabilidade financeira de qualquer negócio dessa natureza – resíduos.

Pensar em todas as variantes do mercado de resíduos e de agregados eleva o potencial de sucesso do negócio e, como consequência, profissionaliza o setor.

 

Levi Torres

Coordenador da ABRECON

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