A automação na reciclagem de entulho

Por Construplay, em 24/07/2018

O setor da reciclagem de resíduos da construção ainda engatinha quando o assunto é automação. A grande maioria das usinas de reciclagem de RCD, Aterros de Inertes e ATT’s ainda mantém rotinas primárias ao receber e triar os resíduos.

No Brasil o que ainda predomina é uma estrutura obsoleta que resulta em um custo extremamente alto para a reciclagem de entulho, tanto para a usina de reciclagem, como para o processo de transporte e gestão desse resíduo. Eu ainda me impressiono quando vejo controle de entrada e saída de caçambas de entulho por documento em papel. Na eventualidade de haver um problema em uma caçamba ou num transportador, como seria para a usina buscar essas informações?

O papel da triagem é muito relevante, assim como a malícia de quem trabalha na recepção, pois é praticamente impossível, por enquanto, apontar irregularidades na caçamba de entulho, que em geral, está com lixo acima do permitido. Qualquer sistema instalado para averiguar a qualidade de lixo numa caçamba está fadado a ser inútil, justamente pela necessidade de uma pessoa negociar com o transportador ou com o gerador a questão.

Ainda em 2017 participamos de uma Missão Técnica Internacional organizada pela ABRECON para visitar uma das maiores usinas de reciclagem de entulho do estado da Califórnia. Foi incrível ver a mesa de triagem deles! Eu vi o que existe de mais moderno e sofisticado em se tratando de usina de reciclagem de entulho no mundo. Embora seja uma usina com soluções integradas, ou seja, recebe e trata todo tipo de resíduo, a área para a triagem e reciclagem de RCD surpreende pelo processo de automação de recepção, triagem e reciclagem do material. Os operários presentes na esteira de triagem têm um papel facilitado pela tecnologia a laser que antecipadamente faz a separação de diversos tipos de materiais por densidade, cor e até composição.

Na mesma toada, em Portugal existe uma usina que sintetiza ao extremo a ideia de aproveitamento e produtividade. A RCD (o nome da usina é esse mesmo) de Figueira da Foz trabalha com apenas três colaboradores com um sistema automatizado de triagem e recepção de resíduos. Até pode parecer assustador, mas isso é pura tecnologia.

Obviamente, pensamos que a tecnologia abre diversos campos de trabalho, mas reduz drasticamente a inserção de mão de obra humana no processo, resultando em considerável aumento de produtividade e desemprego.

Mas a introdução da tecnologia no setor da reciclagem de RCD é inevitável e promete corrigir falhas graves, como falta de fiscalização e controle do transporte dos resíduos.

A tecnologia já está presente em nossas rotinas e já alcança níveis que definem o sucesso ou o fracasso de empreendimentos, portanto, para sobreviver, o empreendedor deverá agregar a automação em seu negócio, ainda que isso signifique um custo superior no início do projeto.

Levi Torres

Coordenador da ABRECON

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